17.3.06
16.3.06
São Gregório, o santo decapitado. Dia I (ou entre as dez da noite e as não-sei-quantas)
Fazer a mala. Arrancar. A longa viagem. A ânsia de não saber para o que se vai e a certeza de que vai ser bom. Restaurante, a carroça já lá vai. Beber, comer, falar, beber. Chegar. A constatação de que é bom ou secalhar, melhor do que pensava. Pousar as coisas. Respirar fundo. Beber, tentar apanhar a carroça. O Tarro. Boa disposição. As conversas perdidas, umas por cima das outras. Simpatías regadas com bastante cerveja e vinho. O Quarto 12. Os amigos. A má vida. Beber. Música. Beber música. O quarto 12. A má vida que se tranformou em boa. Ultrapassar a carroça. Nasceram o dia, o sol e os outros. Morreu a música. Ausência de razão ou pensamento. Muito pouca memória mas mais uma vez a certeza que foi bom. Quarto 10. Quarto 12. Dormir, não. Desmaiar.
Representar por Caracteres ou Sinais Gráficos
Escrevia uma página. Relia-a. Cortava logo alguns parágrafos. Voltava a lê-la. Tirava algumas frases. Depois ia às palavras. Reparava na inutilidade de muitas. Extraía-as. O que se encontrava após uma vírgula também podia desaparecer. Um ponto e vírgula geralmente indicia a ineficácia das frases que une, e eram retiradas.
Continuava assim durante algum tempo. Se não fosse roubarem-lhe a página, restaria uma palavra. Ou talvez nada.
Ele precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia.
Quartos-de-final de uma outra prova qualquer
15.3.06
Recomendação I
O porquê de tão estranho nome
No seu octogésimo aniversário, Bertrand Russell ofereceu um conselho típico de longevidade. Recomendou "um hábito hilariante de controvérsias olímpicas", que nos mantivesse ocupados e longe de todo o tipo de excessos - excepto fumar.
controvérsia: do Lat. controversia s. f.,
discussão regular sobre assunto literário, científico ou religioso; contestação; impugnação de argumentos.
olímpica: fem. plu. de olímpico, fig. nobre; respeitável.
Acabadas as introduções e apresentações... Bem vindos e comentem...
E Vem-nos à Memória uma Frase Batida
Procurei a definição de blog pela internet e a que me pareceu mais interessante foi "diário pessoal e público". Fiquei confuso. Das duas uma. Agora pessoal e público? Já não sabia se queria fazer isto.
Mas cá estou. Mais ou menos contrariado. Sem continuar a perceber porque expomos assim os nossos pensamentos ao desconhecido, ao estranho. Seremos exibicionistas? Ou achamos todos que temos alguma coisa a dizer, mas disfarçamos por detrás da nossa abertura de blog quando, com discursos de (falsa) modéstia sobre a nossa escrita ou os nossos argumentos, dizemos que nao temos nada a dizer, nem muito menos sabemos escrever?
De qualquer maneira, de agora em diante (veremos que diante), estarão aqui expostas as minhas opiniões sobre o que eu achar interessante. Assim se faz um blog, sem saber ler nem (muito menos) escrever...



